A Prefeitura do Rio entregou, nesta quarta-feira (12/08), as chaves dos 11 primeiros imóveis históricos, localizados na Rua do Teatro, contemplados no projeto Reviver Centro Patrimônio Pró-APAC e que serão recuperados com subsídio do Município. A cerimônia, conduzida pelos secretários de Desenvolvimento Econômico e de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, Osmar Lima e Gustavo Guerrante, respectivamente, contou também com a participação do secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, e da presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), Laura Di Blasi. O evento foi realizado no Real Gabinete Português de Leitura e marcou uma nova etapa da iniciativa, que tem como objetivo estimular a requalificação de prédios degradados e contribuir para a revitalização da região central da cidade.
— A revitalização do Centro precisa ser pensada de forma integrada, porque a recuperação dos imóveis e a ocupação dos espaços geram impactos que vão muito além da transformação física da região. Quando cultura, comércio, serviços, moradia e novos negócios passam a conviver em um mesmo território, criamos um ambiente mais atrativo para pessoas e empresas. É um círculo virtuoso que movimenta a economia no curto prazo e, ao mesmo tempo, amplia o potencial de inovação, criatividade e geração de novos negócios no longo prazo — destacou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima.
Os imóveis foram desapropriados por hasta pública e arrematados em leilão pela House RJ e pelo Real Gabinete Português de Leitura. Os proprietários contarão com subsídio de até R$ 3.212 por metro quadrado para custear as obras de restauração e requalificação, conforme os critérios estabelecidos no edital e no termo de adesão. Também participa do programa a Venerável Ordem Terceira dos Mínimos, com sede na Igreja de São Francisco de Paula, que assumiu o compromisso de restaurar imóveis no entorno do Largo de São Francisco de Paula. Como a igreja é tombada, há limitações para obras e alterações que possam afetá-la, inclusive em razão de intervenções em prédios próximos. Diante da importância do conjunto arquitetônico e cultural da região, reconhecida pelo Município, a Ordem irá recuperar esses imóveis e dar a eles novos usos.
Os imóveis contemplados estão localizados na Rua do Teatro, nos números 9, 11, 13, 15, 17, 19 e 37, e no Largo de São Francisco de Paula, nos números 19, 21 e 23, todos no Centro. A lista inclui ainda o terreno denominado “Lote 1”, situado na Rua Particular, sob os números 2, 4, 6, 8 e 10, também no Centro.
— Reabilitar a Rua do Teatro e a área do Largo de São Francisco significa trazer moradia, novos usos e segurança jurídica, mostrando que a preservação da memória e o desenvolvimento urbano podem caminhar juntos. Com a entrega dessas chaves, damos mais um passo concreto na consolidação do Plano Diretor para esta região — afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, Gustavo Guerrante.
As equipes da SMDE e da SMDU mapearam mais de 4 mil imóveis degradados na região. Os técnicos definiram os núcleos de atuação e realizaram o leilão. Caso as intervenções não sejam executadas de acordo com as condições estabelecidas em edital, os imóveis poderão retornar ao domínio do Município.
O Reviver Centro Patrimônio PRÓ-APAC é coordenado pelas secretarias municipais de Desenvolvimento Econômico (SMDE) e de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SDMU). O objetivo é integrar políticas públicas de requalificação urbana, preservação do patrimônio histórico e fortalecimento da atividade econômica, contribuindo para a transformação do Centro em uma região mais dinâmica, ocupada e valorizada.
Reviver Centro amplia moradias e novos usos na região
Lançado pela Prefeitura em 2021 para impulsionar a recuperação da região central, o Programa Reviver Centro alcançou novas marcas em agosto. Segundo o Painel Oficial de Monitoramento, atualizado em 6 de agosto, foram concedidas 81 licenças, que somam 8.903 novas unidades residenciais e 95 unidades destinadas a atividades comerciais, de serviços e culturais — 8.998 no total. Somente em 2026, foram licenciadas 1.528 moradias em 12 empreendimentos.
Os números refletem a estratégia do Município de atrair novos moradores e usos para o Centro, aproveitando a infraestrutura de transporte, lazer e serviços já existente. Outros 27 pedidos de licença estão em análise, com potencial para acrescentar mais 824 moradias à região.
Para a presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), Laura Di Blasi, a entrega das chaves representa um marco para as políticas municipais de preservação e requalificação urbana.
— O Pró-APAC foi desenhado para garantir que a requalificação urbana preserve a identidade, a arquitetura e os detalhes que fazem do Centro do Rio um patrimônio único. A participação do Município, com incentivo direto, é um impulso importante para unir a conservação do patrimônio à vida comunitária e econômica da região — afirmou Laura.
Novos usos movimentam o Centro
Além do Reviver Centro Patrimônio PRÓ-APAC, a Prefeitura mantém outras iniciativas para estimular a ocupação de imóveis, fortalecer a atividade econômica e cultural e qualificar os espaços públicos da região central.
Uma delas é o Reviver Rua da Cerveja, criado para recuperar imóveis e estimular novos usos na Rua da Carioca, com foco na formação de um polo de cervejarias artesanais. O projeto incentiva a instalação de estabelecimentos no modelo brewpub, que produzem e comercializam cerveja e alimentos no próprio local. Para atrair os negócios, a Prefeitura ofereceu incentivos financeiros para reformas e despesas operacionais. Nove cervejarias aderiram ao programa e seis já estão em funcionamento.
A iniciativa também prevê a requalificação da Rua da Carioca, com ampliação das calçadas, criação de áreas de convivência, nova iluminação, arborização e reorganização das faixas destinadas a carros e ônibus. O projeto reúne a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, a CCPar e o IRPH, além de outros órgãos municipais responsáveis pelas intervenções urbanas.
Cultura ocupa imóveis e ganha espaço
Outra frente é o Reviver Cultural, criado para dar novos usos a imóveis ociosos e ampliar a presença de atividades culturais no Centro. O programa conecta esses espaços a estabelecimentos e projetos artístico-culturais e oferece apoio financeiro para a recuperação de imóveis considerados estratégicos para a região.
A proposta é ampliar a ocupação dos espaços, atrair novos negócios e atividades culturais e fortalecer a recuperação econômica e urbana do Centro. Criado inicialmente pelas áreas de Desenvolvimento Urbano e Desenvolvimento Econômico, em parceria com a CCPar, o Reviver Cultural passou, em 2025, a integrar o escopo da Secretaria Municipal de Cultura (SMC).
As iniciativas fazem parte da estratégia da Prefeitura para ampliar a ocupação do Centro, recuperar imóveis, atrair moradores e novos negócios e fortalecer a região como polo de cultura, serviços, comércio e lazer.

