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Campo Grande do Piauí se mobiliza contra o racismo com passeata e palestras; Veja fotos

Na manhã da ultima quarta-feira, 20, a Prefeitura Municipal de Campo Grande do Piauí, através das secretarias de Educação, Assistência Social, Cultura e  Saúde, a Comissão Interssetorial do Selo Unicef e o Núcleo de Cidadania dos Adolescentes (NUCA) realizaram uma passeata pelas principais ruas da cidade com o tema: “Todos por uma infância sem racismo”, seguido de palestras e depoimentos pessoais com o tema: “Políticas de cotas raciais”, realizados pela Igreja Católica, na pessoa do Pe. Flávio Santiago e do  Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR) de Campo Grande do Piauí.

O evento teve o objetivo de repassar informações e orientações de como assegurar o respeito e a igualdade étnico-racial desde a infância, como a proteção da criança, do adolescente e sua família contra toda e qualquer discriminação e também enfatizou  o Dia da Consciência Negra no município, que foi comemorado na quarta-feira, 20 de novembro em todo o país.

A passeata que envolveu os integrantes do Nuca, alunos da rede municipal e estadual de ensino, Conselho Tutelar e a comunidade, que exibiram faixas, adesivos e cartazes em prol da campanha. O ato teve início em frente aa sede da Secretaria Municipal de Educação,  e percorreu as principais e ruas e avenidas da cidade, finalizando na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.

Na abertura do evento, a Coordenadora da Educação Ceiça Sousa disse que o Dia da Consciência Negra é um importante momento para fazer uma reflexão sobre a importância do povo e da cultura africana  no Brasil . “Bom dia, estamos aqui nessa manhã para celebrarmos o dia da consciência negra, comemorado em todo o país nesse dia 20 de novembro. O objetivo do Dia da Consciência Negra é fazer uma reflexão sobre a importância do povo e da cultura africana no Brasil. Também serve para analisarmos o impacto que tiveram no desenvolvimento da identidade cultural brasileira”.

“Hoje contamos com a participação e colaboração da Igreja Católica (Pe. Flávio), Secretaria Municipal de Educação, Secretaria Municipal de Saúde,  Secretaria Municipal de Assistência Social, STR, NUCA, Conselho Tutelar, grupos de alunos da rede municipal e estadual de educação  e toda a comunidade e juntos iremos fazer uma caminhada até a sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais , no percurso vamos ter algumas paradas com apresentações e no sindicato acontecerá palestras sobre com tema: Políticas de cotas e racismos, e nossa caminhada tem como tema: Promoção da Igualdade Social Todos por uma Infância sem Racismo”.

Iniciado a passeata, durante  o percurso foram realizadas três paradas para a realização de apresentações com temas relacionados a campanha.  Na primeira parada os alunos do 4º ano da U.E.M. Raimundo Esmero de Sousa, sob a coordenação da professora Jardânia Ramos,  apresentaram uma paródia.

 Na segunda parada os alunos da U.E.M . Antônio Ferreira de Oliveira, orientados pela diretora Janaiane dos Anjos, realizaram uma apresentação de Capoeira.

Na terceira e última parada, o Conselheiro Tutelar Romilson Silva, representando os demais colegas disse que o Conselho Tutelar do Conselho Tutelar é contra racismo e qualquer forma de ofensa na sociedade.  “Dizer também que nós somos contra racismo e qualquer forma de ofensa na sociedade… Deus criou a humanidade a sua imagem e semelhança, branco, preto, nordestino, espírita, católico, crente, rico…enfim, a maior herança e amor não tem maldade”.

Para a Assistente Social Luciene Sousa é necessário que a luta para combater o racismo seja  constante . “Combater o racismo, seja do negro, do branco, do amarelo, é a ideia principal dessa campanha… promover a igualdade social tem que ser para todos, então, hoje um dia de mobilização nacional, de dar visibilidade… para que o tema seja  trabalhado  desde a infância e é preciso trabalhar continuamente em todos os núcleos sociais, seja em organização governamental, ou seja em organização não-governamental, qualquer célula, qualquer núcleo social deve trabalhar em prol do combate ao racismo”.

De acordo com a Mobilizadora de Jovens e adolescente do Selo Unicef no município, Maria Helena, o NUCA participou ativamente da campanha, desenvolvendo as ações do desafio 8: Promover práticas de enfrentamento ao racismo. “Essa caminhada é de muito importância… infelizmente ainda existe muito racismo, e nessa caminhada  tentamos desenvolver na sociedade um sentimento de conscientização contra o racismo”, destacou.

A passeata foi encerrada na sede do STR, onde as ações passaram a ser coordenados pela Igreja Católica, na pessoa do Pe. Flávio Santiago, e pelos funcionários do sindicato. A secretária do STR Eva Cymara Sá, recepcionou todos os presentes   no auditório do sindicato Clódio Raimundo de Almeida.  “Hoje nossa comunidade, com a representação de toda a sociedade, convida você para fazer uma reflexão sobre a Negritude e sobre o movimento negro, contra a opressão e o racismo. Esta data é de suma importância pois visa conscientizar por meio da cultura, o debate sobre os povos afrodescendentes, sensibilizando a sociedade e o governo para políticas públicas que valorizam suas expressões culturais”.

Em seguida, foi realizado a composição da  mesa de honra. Participaram do evento  o Presidente do STR Leonardo Pedro da Silva, o padre Flávio Santiago, a professora e supervisora das Escolas Estaduais Josefa Silva, a Secretária de Assistência Social Vandeslene Oliveira, o vereador Martinho de Belchior, a professora e Coordenadora da Educação Tássia Oliveira, o advogado e conselheiro tutelar Felipe Siqueira, o Professor Mairton Celestino, o Conselheiro Tutelar Romilson Silva e Dona Toinha, representante das comunidades quilombolas do município.

Abrindo as apresentações, os adolescentes do NUCA apresentaram 10 maneiras para contribuir para uma infância sem racismo . Em seguida, várias personalidades negras do município deram seus depoimentos de vida e dificuldades encontradas no trajeto de suas carreiras profissionais e na sociedade.

Em seu discurso, o vereador Martinho de Belchior falou sobre o seu histórico político e da sua família no município, e também enfatizou que graças a lei de cotas hoje trabalha concursado.

“É um prazer estar aqui nesse dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra… agradecer a todos que fazem parte da diretoria pelo convite …e dizer que para mim não existe discriminação na minha vida política  por ser negro… a política a minha família vem desde cedo, meu pai e meu primo já foram vereadores e eu já estou no meu segundo mandato, sendo o vereador mais bem votado do município na última eleição… Hoje trabalho concursado pelo estado de vigia no Km 80, e graças a Deus e minha deficiência, com a lei de cotas consegui entrar no mercado de trabalho”.

O advogado Felipe Siqueira iniciou o seu depoimento dizendo que as cotas raciais foram criadas tendo em vista o tamanho do descaso que aconteceu com o negro na história do Brasil. “As cotas raciais é uma ideia criada tendo em vista o tamanho do descaso que aconteceu com o negro na história do Brasil… Ainda hoje, infelizmente, vemos o racismo no Brasil… cerca de 70% da comunidade carcerária é negra e 57%  da população do país é negra”.

O advogado pontuou que o preconceito só se acabará quando as pessoas da classe negra ao atingirem objetivos  não deixarem de defender a sua classe. “O Dia da Consciência Negra tem que começar aqui, dentro das pessoas… O pior de tudo são pessoas  negras que quando atingem o objetivo principal  deixam de ser defensores dessas causas sociais e da sua classe. Eu sou muito feliz por terem me convidado para esse momento, espero participar várias vezes ainda e que todo dia seja dia da consciência negra, da fraternidade e das pessoas”.

Em seguida o professor de Karatê Adão Davi realizou com seus alunos uma apresentação da arte marcial e também deixou o seu depoimento. “Iniciei no Karatê em 1999  com um sonho de me tornar um atleta para competir, para mostrar o potencial e talento que temo nosso município e nosso estado, eu, como negro, me sinto orgulhoso por que já participei de vários eventos no mundo das artes maciais, que foi a que escolhi, participando de campeonatos municipais, estaduais, nacionais e até internacionais”.

Adão disse que hoje se sente realizado com o seu esporte. “Quero dizer para vocês que não é por sermos negros que não somos capazes de fazemos o queremos e pelo que batalhamos para fazer. Nós não temos diferença nenhuma por sermos dessa cor. Tinha um sonho de me tornar professor de karatê e de trazer um título nacional para Campo Grande, e foi uma aluna negra que conseguiu trazer o titulo de primeiro lugar para o município. Hoje me sinto realizado dentro da minha área e só tenho a agradecer”.

Encerrando os pronunciamentos, a professora Josefa Silva iniciou suas palavras parabenizando os organizadores do evento pela iniciativa e vez um relato emocionante sobre a sua trajetória e as dificuldades enfrentadas para conseguir concluir seus estudos. “Abençoada iniciativa de ouro da gestão Municipal, do STR  e da igreja Católica nessas causa… Minha história começou em uma localidade onde não tinha escola, então, a gente começou a estudar em uma casa chamada “escola” com madrinha Nena, que não está aqui, sentados no chão da casa de seu Chico…”

A professora e atual Supervisora das escolas Estaduais do Município fez todo o seu relato das dificuldades encontradas e vencidas até os dias atuais. “Hoje, através da gestão municipal e do Dr. Pablo, fui indicada para ser a supervisora de ensino da Rede Estadual de Ensino. Então aquela escola Serafim José de Brito, eu estudei eu retornei duas vezes só oportunidade de trabalho, foi muito esforço, meus queridos alunos para gente alcançar os objetivos que deseja”.

A professora também enfatizou o Plano de Educação Municipal e a LDB, que mostram a importância e a obrigação do estudo da cultura afro-brasileira e indígena. Encerrando suas palavras a Josefa destacou a importância das cotas nas Universidades Federais citando  o nome de alunos do município,  que graças a lei de cotas, estudam em universidades publicas, entre eles, Willamis Ferreira, Micael Estevão, que passou recentemente na prova de doutorado em Matemática na UFPE e Marciela  Silva, que cursa Medicina na UFPB.

Para o padre Flávio Santiago, Vigário Paroquial da Paroquia Santa Ana a serviço da comunidade de Campo Grande do Piauí, esse momento é de grande importância  “A importância de celebrar o dia da consciência negra é tornar sempre atual um tema que é presente na nossa sociedade,  muitas vezes esse assunto  passa despercebido e essa ação de considerar de qualidade inferior ou de importância diminuída as pessoas de cor negra, evidentemente, ainda tem pessoa com esse tipo de comportamento e é muito presente na nossa sociedade’’.

“A quantidade de pessoas de cor negra em instituições importantes da sociedade, inclusive na igreja católica, é uma presença muito reduzida, então, quando nós celebramos no dia 20 de novembro o Dia da Consciência Negra, estamos colocando como pauta um ponto de discussão que é a dignidade das pessoas negras e o direito que elas têm de serem tratadas  independentemente da cor”.

De acordo com padre três pilares são fundamentais para o combate ao racismo na sociedade. “A primeira coisa é começar com nós mesmos, não apelidar, não publicar piadas que inferiorizam as outras pessoas, não devemos apoiar um tipo de programação de música que possa induzir a diminuição do outro; o segundo elemento é se informar sobre as políticas públicas dos currículos escolares, que tem por obrigação legal incluir essa temática e suas leis, e  o terceiro ponto que eu recomendo é participar de organizações que promovem a pessoa, como sindicato de pequenos agricultores , organizações da Igreja Católica e outros espaços que favorecem o crescimento da pessoa”.

O professor da Universidade Federal do Piauí Mairton Celestino espalmou em sua fala que não só no dia 20 de novembro, mas todo o ano é dia de debater contra os preconceitos raciais. “Hoje, tentando fazer esse resgate de modo que as pessoas que estivessem presentes pensem, não só nesse dia 20, mas durante todo ano, como um ano de luta contra o racismo contra a exploração sexual e contra os preconceitos da sociedade”.

O professor também destacou a importância da presença dos jovens no evento. “Os jovens foram de grande importância porque é eles que irão mudar a sociedade daqui para frente,  então, combater o racismo e discutir o racismo com os jovens é um elemento extremamente importante para a sociedade… com esse tipo de atitude e atividade você conhece e age contra o racismo”.

Encerrando o evento foi servido lanche para todos que participaram do ação.

Confira mais imagens do evento:

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