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Com bloqueio de recursos, UFPI só funcionará até setembro, afirma reitor

Arimateia Dantas, reitor da Universidade Federal do Piauí, disse que bloqueio de R$ 33 milhões imposto pelo MEC representa quase 50% do orçamento para o período entre maio e dezembro de 2019.


O professor Arimateia Dantas Lopes, reitor da Universidade Federal do Piauí (UFPI) afirmou em coletiva de imprensa nesta terça-feira (7) que a instituição pode fechar as portas até o mês de setembro de 2019 caso sejam mantidos os bloqueios de recursos para a universidade. Segundo ele, o bloqueio de mais de R$ 33 milhões de reais representa quase 50% do orçamento para o período entre maio e dezembro de 2019.

A coletiva de imprensa foi realizada para confirmar o bloqueio global de 30% no orçamento de custeio anunciado pelo Ministério da Educação no dia 30 de abril.

O reitor detalhou que serão cortados R$ 1,5 milhão de programas de pesquisa, ensino e extensão; R$ 2,8 milhões que serão cortados financiam o funcionamento de três escolas vinculadas, que são os colégios técnicos de Teresina, Floriano e Bom Jesus; e R$ 28,7 milhões bloqueados do recurso de funcionamento do ensino superior.

O reitor Arimateia explicou ainda que devem ser cortados 40% dos funcionários terceirizados, o que vai impactar a área administrativa da universidade. Os setores de limpeza e segurança, segundo o reitor, funcionam atualmente no limite e por isso não deve haver cortes nessas áreas.

Pagamentos de viagens para congressos e eventos dos alunos estão suspensos. Os celulares funcionais dos gestores também não terão seus contratos renovados.

Arimateia disse que a universidade pode fechar as portas porque com os cortes nos recursos vai ficar difícil honrar os compromissos. Até o pagamento de contas de água e energia elétrica estão ameaçados.

“Estamos conseguindo manter obras que já estavam em andamento e a maioria dos serviços, como pagamento de bolsas para os alunos. Mas se o bloqueio se mantiver, não vamos conseguir pagar os nossos fornecedores, como água, energia elétrica e fornecedores para os restaurantes universitários. Se houver um corte de energia, a universidade não tem como continuar funcionando”, disse o reitor.

Com os recursos que sobram, segundo o reitor, não será possível concluir o ano de 2019. “Com a situação como está, se o desbloqueio não acontecer, o recurso só conseguirá manter a universidade até o mês de setembro deste ano”.

Ainda segundo o reitor, o corte não envolve o Hospital Universitário, que é mantido pela Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares). Ele acredita que não vai haver prejuízo no HU, nem nos serviços prestados pelo hospital.

Reunião com ministro da educação

No entanto, o reitor acredita que é possível reverter a situação já que já houve bloqueios e desbloqueios em anos anteriores. Mesmo assim, há o temor de que o bloqueio no orçamento continue.

“Teremos uma reunião com o ministro da educação [Abraham Weintraub] no próximo dia 16, e esperamos que haja um entendimento. A situação, do jeito que está, não vai nos deixar concluir o ano. Fizemos uma gestão zelosa e conseguimos nos manter honrando a maioria dos compromissos, mas com esse corte não será possível. Torcemos para que isso seja possível de se reverter”, disse o reitor Arimateia.

Atualmente a comunidade acadêmica da UFPI é constituída por cerca de 45 mil pessoas, com mais de 4 mil bolsas institucionais. A UFPI oferece atualmente 84 cursos presenciais, 15 de ensino à distância, 46 pós-graduações à nível de mestrado, 19 doutorados, 23 residências médicas e 11 residências multiprofissionais. A instituição tem 48 anos de existência.

Fonte: G1 Piauí

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