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Corinthians prova força coletiva, e Grêmio mantém méritos na derrota

Grêmio e Corinthians não fizeram uma partida especialmente vistosa em Porto Alegre na tarde de domingo. No entanto, a forma como se desenvolveu a vitória da equipe paulista por 1 a 0 foi atestado de por que é candidatíssima ao título: mais pelo coletivo do que por individualidades — embora o jogo tenha mostrado que estas também aparecem em momentos cruciais.

Para o time gaúcho, o desafio é não deixar a derrota minar o aspecto emocional. Embora tenha visto o Corinthians abrir quatro pontos de vantagem na liderança, o Grêmio mostrou que seu estilo de jogo baseado em intensas trocas de passes e infiltrações é consistente e competitivo até contra a equipe mais forte do campeonato. Manter o padrão atual é a chave para somar pontos importantes que podem, aos poucos, encurtar a diferença para o líder.

CORINTHIANS: FORÇA COLETIVA

A jogada do gol do Corinthians nasceu de um jogador que sequer é titular: Paulo Roberto. O volante, que está longe de ser unanimidade com a torcida corintiana, entrou como primeiro homem de marcação no meio-campo — o “1” do 4-1-4-1 de Fábio Carille. Só jogou porque o titular na posição, Gabriel, estava suspenso. Na última vez que tinha iniciado um jogo, contra o Cruzeiro, atuou improvisado na lateral direita porque Fágner estava com a seleção brasileira.

E foi justamente o improvável Paulo Roberto quem, no início do segundo tempo, quebrou as linhas de marcação do Grêmio. Responsável por marcar incansavelmente o perigoso Luan, o volante do Corinthians percebeu que a recíproca não era totalmente verdadeira: vendo-se com espaço, decidiu conduzir a bola. Quando o craque gremista correu atrás do prejuízo, acabou atrapalhando a cobertura de Pedro Geromel. Deu um toque de bico da chuteira que tirou definitivamente a bola do zagueiro de sua equipe e deixou Paulo Roberto de cara para o vento.

Conhecedores do perigo levado pelo Corinthians na grande área — de onde saíram todos os gols da equipe no campeonato –, Geromel e o lateral-esquerdo Cortez se preocuparam em marcar a referência naquela região: o centroavante Jô. Paulo Roberto fez como manda o figurino, chegou ao fundo e cruzou rasteiro. Com um corta-luz, Jô rompeu a lógica e deixou a bola passar para Jadson, que recebeu livre para fazer o gol da vitória. De dentro da área, é claro.

Jadson, por sinal, teve atuação preciosa para o Corinthians: com 39 passes certos e somente seis errados, foi o principal articulador do ataque paulista. Além de fazer o gol, ele deu passe para duas das outras quatro finalizações dadas pelo Corinthians no jogo.

GRÊMIO: SEM TERRA ARRASADA

O pênalti desperdiçado no fim do segundo tempo e o cochilo quando marcava Paulo Roberto no gol do Corinthians foram os símbolos de uma tarde frustrante de Luan em lances decisivos. No geral, contudo, o melhor jogador do Grêmio no Brasileiro teve um desempenho consistente na partida deste domingo: não só foi um dos principais distribuidores de jogadas (64 passes certos, seis errados, três passes para finalizações), como também foi o atleta gremista que passou mais tempo com a bola, segundo dados do “Footstats”.

A frustração do Grêmio remete a erros pontuais, que ocorrem até nas melhores equipes. Os pilares táticos do time treinado por Renato Gaúcho, no entanto, funcionaram. Encontrou forte resistência do Corinthians e teve dificuldade para sufocar o adversário, é verdade. Mas conseguiu impor seu estilo de jogo: trabalhou bastante as jogadas em passes curtos e rápidos (foram 484 passes certos, 130 a mais do que o rival) e mostrou-se seguro com a bola nos pés. Não à toa, apesar de terminar com mais posse — 54% a 46% –, teve menos perdas de bola do que o Corinthians: 26 contra 36 dos paulistas.

Só que o time paulista foi cirúrgico como poucas vezes se viu. Além da eficiência coletiva, ainda teve uma tarde inspirada o jogador da posição mais individual do futebol: o goleiro Cássio. Com seis defesas — três delas difíceis, segundo a estatística do “Footstats” –, Cássio defendeu a penalidade máxima cobrada por Luan e ainda pegou um chute de bico do atacante gremista, quase na pequena área.

Fonte: Jornal O Globo

 

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