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Estudantes protestam contra bloqueio de recursos da educação em cidades do Piauí

Ato percorreu ruas do Centro de Teresina e bloqueou o trânsito. Universitários e alunos de escolas públicas e privadas participaram do protesto. manifestações semelhantes ocorreram em Parnaíba, Cocal, Picos, Floriano, Pedro II e Angical do Piauí.


Estudantes universitários e secundaristas de escolas públicas e particulares saíram em passeata pelas ruas do Centro de Teresina, em manifestação contra o bloqueio no orçamento da educação e contra a reforma da previdência. Protestos semelhantes ocorreram em outras cidades do Piauí, como Parnaíba, Cocal, Picos, Floriano, Pedro II e Angical do Piauí.

O protesto iniciou na Praça Rio Branco e no cruzamento das ruas Ruy Barbosa e Areolino de Abreu. trânsito de ônibus foi bloqueado na estação da Praça da Bandeira desde as 8h. Nem os manifestantes nem a Polícia Militar divulgou estimativa de público. A manifestação durou até às 11h30min.

Manifestação contra bloqueios na educação ocupou a Rua Areolino de Abreu, no Centro de Teresina — Foto: Murilo Lucena/ G1 PI
Manifestação contra bloqueios na educação ocupou a Rua Areolino de Abreu, no Centro de Teresina — Foto: Murilo Lucena/ G1 PI

O grupo é formado por estudantes da Universidade Federal do Piauí (Ufpi), da Universidade Estadual do Piauí (Uespi), Instituto Federal do Piauí (Ifpi), professores e servidores da educação básica e estudantes secundaristas de colégios estaduais do Centro de Teresina, como o Liceu Piauiense, e escolas particulares.

Protesto contra bloqueios de recursos da educação percorreu ruas do Centro de Teresina — Foto: Lorena Linhares/ G1 PI
Protesto contra bloqueios de recursos da educação percorreu ruas do Centro de Teresina — Foto: Lorena Linhares/ G1 PI

“A manifestação é importante por que esses cortes vão abalar não só a educação superior, mas a educação básica em si. Querendo ou não, qualquer corte na universidade atrapalha o acesso das pessoas mais pobre na universidade, e também a permanência”, comentou a professora Jéssica Carvalho.

Depois de se concentrar na Praça Rio Branco, os manifestantes se dirigiram até a Rua Coelho Rodrigues e continuaram o protesto diante da Prefeitura de Teresina. A manifestação continuou, percorrendo ruas do Centro de Teresina.

Manifestação contra bloqueios na educação em frente ao Palácio do Karnak, sede do governo do Piauí, em Teresina — Foto: Lorena Linhares/ G1 PI
Manifestação contra bloqueios na educação em frente ao Palácio do Karnak, sede do governo do Piauí, em Teresina — Foto: Lorena Linhares/ G1 PI

A passeata passou ainda pelo Palácio do Karnak, sede do governo estadual, e seguiu para a Avenida Frei Serafim. Além dos estudantes, diversas representações sindicais e entidades do movimento estudantil participam do protesto.

Protestos pelo Piauí

  • Cocal

Na cidade de Cocal, a 288 km de Teresina, um grupo formado por estudantes e professores do Instituto Federal do Piauí (Ifpi) realizou um protesto saindo da praça central da cidade e seguindo em direção ao sindicato dos professores do município, por volta de 9h30.

Maria dos Remédios Brito, diretora do campus do IFPI de Cocal informou que o local só deve manter o funcionamento até o mês de agosto, devido aos cortes que atingem o funcionamento da instituição.

Estudantes do Ifpi fizeram protesto contra bloqueio de recursos da educação em Cocal - Piauí — Foto: Maria Romero/ G1 PI
Estudantes do Ifpi fizeram protesto contra bloqueio de recursos da educação em Cocal – Piauí — Foto: Maria Romero/ G1 PI

“Ao todo, um corte de 30% dos recursos nos impede de manter até mesmo a vigilância e a energia elétrica sendo pagas. Estamos nos manifestando hoje pedindo que o governo reveja esse corte. Somos o único instituto da região com cursos de graduação e pós-graduação, além de cursos técnicos e pesquisas importantíssimas para o município”, explicou a diretora.

  • Parnaíba

Na cidade de Parnaíba, a concentração da manifestação aconteceu em frente a Universidade Federal do Delta do Parnaíba. Além de serem contra os cortes, os manifestantes também se posicionaram contra a reforma da previdência.

Com faixas e cartazes, os manifestantes seguiram pela São Sebastião, a principal avenida de Parnaíba, em direção ao centro da cidade. Carros e motos também participaram em uma carreata. A caminhada se encerrou na Praça da Graça, no Centro de Parnaíba.

Estudantes fizeram uma passeata em protesto contra o bloqueio de recursos da educação em Parnaíba- PI — Foto: Kairo Amaral/ TV Clube
Estudantes fizeram uma passeata em protesto contra o bloqueio de recursos da educação em Parnaíba- PI — Foto: Kairo Amaral/ TV Clube

Além de estudantes, professores de universidades e sindicalistas, o movimento em Parnaíba também teve a participação de professores da rede municipal de ensino que afirmam temer novos cortes do governo na área da educação básica.

  • Angical do Piauí
Estudantes do Ifpi em Angical se reuniram por volta das 8h30min desta quarta-feira (15) diante da sede do campus e fizeram uma caminhada até a praça do centro da cidade. Na praça, estudantes de escolas municipais e estaduais se uniram ao grupo. O protesto se encerrou por volta das 11h.

O professor Robson Borges, do curso de informática, disse ao G1 que o bloqueio de recursos ameaça a oferta de aulas do Ifpi. “Com esse corte o orçamento só vai até setembro”, disse.

Estudantes do campus do IFPI em Angical do Piauí fizeram passeata até o centro da cidade. — Foto: Reprodução
Estudantes do campus do IFPI em Angical do Piauí fizeram passeata até o centro da cidade. — Foto: Reprodução

O professor comentou ainda que o bloqueio deve impactar ainda a economia da cidade. “Com as demissões que podem ocorrer de terceirizados e cortes de bolsas, muito dinheiro vai deixar de ser movimentado na cidade”.

Contingenciamento de recursos

Em abril, o Ministério da Educação divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de recursos. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades. Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que não serão afetadas. Elas correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Segundo o governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O bloqueio poderá ser reavaliado posteriormente caso a arrecadação volte a subir. O contingenciamento, apenas com despesas não obrigatórias, é um mecanismo para retardar ou deixar de executar parte da peça orçamentária devido à insuficiência de receitas e já ocorreu em outros governos.

Fonte: G1 Piauí

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