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Policiais e agentes do Gaeco fizeram buscas em escritório de advogados investigados por golpes no Piauí — Foto: Divulgação/ Gaeco

Quadrilha formada por advogados usava aposentados para aplicar golpes em bancos, diz MP

Operação Coiote cumpriu 31 mandados em seis cidades do Piauí e uma da Bahia, em casas e escritórios de cinco advogados piauienses suspeitos de comandarem o esquema.


A operação Coiote, deflagrada nesta quinta-feira (16), investiga um grupo de advogados suspeitos de usar aposentados que haviam feito empréstimos consignados para entrar na Justiça com ações fraudulentas contra instituições bancárias. Os mandados foram cumpridos nas cidades de São Raimundo Nonato, Fartura do Piauí, Bonfim do Piauí, São João do Piauí, Teresina e Dirceu Arcoverde, no Piauí; e em Juazeiro, no estado da Bahia.

De acordo com o promotor de Justiça Rômulo Cordão, coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os suspeitos realizaram milhares de golpes contra bancos. “Um pessoal foi escalado só para verificar o tamanho desse prejuízo”, disse.

O objetivo das ações de busca foi encontrar documentos que confirmassem os crimes. Os promotores agora devem analisar os documentos apreendidos e continuar a investigação. Segundo o promotor Rômulo Cordão, os suspeitos podem responder por crimes como formação de organização criminosa, falsidade ideológica, falsidade material e estelionato.

O golpe

O promotor Rômulo Cordão explicou que os advogados tinham escritórios sediados em São Raimundo Nonato e contratavam pessoas (chamadas de “coiotes”) para encontrar idosos em localidades rurais que tivessem feito empréstimos, e ofereciam o serviço de anular este empréstimo junto à Justiça, e assim cancelar a dívida.

“O aposentado, por falta de conhecimento, entra nessa. Alguns entram sabendo, acreditando que podem tirar algum proveito daquilo”, comentou o promotor. Os advogados realizavam ações afirmando que os empréstimos haviam sido feitos sem a permissão do aposentado. Assim, os advogados buscavam conseguir indenizações por danos morais, além do cancelamento do empréstimo.

O promotor explicou que os golpistas aproveitavam o fato de que os bancos enviavam os contratos de empréstimos para serem arquivados em um local no estado de Minas Gerais.

Policiais e agentes do Gaeco fizeram buscas em escritório de advogados investigados por golpes no Piauí — Foto: Divulgação/ Gaeco
Policiais e agentes do Gaeco fizeram buscas em escritório de advogados investigados por golpes no Piauí — Foto: Divulgação/ Gaeco

“As instituições bancárias têm milhares, milhões desses contratos. Então leva tempo para que sejam localizados, para serem apresentados à Justiça. Dentro desse tempo acontece a audiência de instrução”, disse o promotor. Com o risco iminente de perder as ações, os bancos se viam obrigados a fazer acordos com os advogados.

O golpe tinha ainda uma segunda fase, quando os golpistas, de posse das informações dos aposentados, realizavam novos empréstimos junto aos bancos e em seguida, processavam os bancos novamente, sob a afirmação de que os novos empréstimos também haviam sido feitos sem a permissão dos beneficiários.

“Causavam prejuízos às instituições financeiras e aos aposentados, que sequer tinham acesso ao dinheiro quando eventualmente os advogados ganhavam a ação”, disse o promotor Rômulo Cordão.

A operação

Segundo o promotor Rômulo Cordão, durante a investigação, iniciada pela promotoria de São Raimundo Nonato, foram identificados 19 advogados suspeitos de fazer parte do esquema. Na operação deflagrada nesta quinta-feira (16), os policiais cumpriram 31 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a cinco advogados, apontados como líderes da organização criminosa.

Fonte: G1 Piauí

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